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Sobre a série
Giselle Beiguelman.
Esta série de imagens parte de questões que nos fazemos cotidianamente sobre o impacto da inteligência artificial na produção do conhecimento e os impasses da universidade em um mundo em transformação.
Desenvolvida a convite da Folha de S. Paulo, para o caderno especial do RUF 2026, foi criada por pesquisadores do GAIA (Grupo de Arte e Inteligência Artificial), que reúne alunos e docentes do Programa de Pós-graduação em Design da FAU-USP e do Inova-USP, vinculados ao Projeto Temático Fapesp Acervos Digitais e Pesquisa, entre outros.
Trabalhamos com uma linguagem abstrata para traduzir visualmente processos sobre como a informação é codificada e recombinada, tensionando o que se torna visível nesses processos e o que permanece oculto.
Criamos um agente de IA com o ChatGPT Pro, modelo Astra 6, para apoiar o processo coletivo e manter a coesão editorial do conjunto. A paleta de cores foi gerada a partir da pauta preliminar recebida.
O agente de IA
Entre outras regras, nosso agente de IA foi alimentado com referências que articulam artistas pioneiros da arte computacional e a obra Endless Amusement, coletânea do século XIX de experimentos de óptica e ilusionismo, que nos rendeu bons insights sobre efeitos de profundidade, aparições e perspectivas enganosas.
Do artista alemão Georg Nees, incorporamos a tensão entre ordem e desordem. Já a genial húngara Vera Molnar foi fonte para pensar a repetição de formas com pequenas perturbações.
A obra do seminal Manfred Mohr ofereceu procedimentos de transformação de estruturas geométricas, enquanto o lendário matemático Frieder Nake inspirou fabular grades que se desfazem em texturas.
As pesquisas dos franceses Hervé Huitric e Monique Nahas contribuem para a ambiguidade entre trama e superfície. Somam-se a elas os experimentos de François Morellet com regras, acaso e os limites da percepção.
Reler essas investigações à luz da IA em diálogo com os experimentos reunidos em Endless Amusement permitiu-nos interrogar suas promessas e seus temores. Uma paisagem aparentemente infinita, produzida pela repetição entre espelhos, por exemplo, suscitou perguntas sobre a diversidade de um conhecimento que se alimenta dos próprios resultados.
Em conjunto, esses procedimentos nos permitem explorar a distância entre aquilo que uma imagem mostra e os mecanismos que a produzem.
Ao longo do trabalho, a dobra tornou-se uma figura e uma operação conceitual relevante para pensar processos de aproximação e ocultamento. A presença de ruídos e arquiteturas instáveis nas imagens sugerem saberes que se organizam, entre permanências e rupturas.
Desde o princípio, optamos por não tratar o projeto como ilustração, em respeito à especificidade desse campo, de seus processos expressivos e de suas práticas profissionais.
Nas nossas imagens, a IA é instrumento de criação, objeto de investigação e crítica. A universidade aparece como espaço em que essas tensões são vividas, discutidas e transformadas em novas perguntas.